sábado, 28 de janeiro de 2017

O maior observatório do planeta!

Desde 2013, o Chile abriga o maior observatório astronômico do planeta

O Alma é composto por 66 antenas que estudam radiação interestela

O Alma é composto por 66 antenas espalhadas no alto do Platô de Chajnantor, na Cordilheira dos Andes. A área é própria para captar a radiação de corpos frios no espaço (Foto: Clem & Adri Bacri-Normier (wingsforscience.com)/ESO)O Alma é composto por 66 antenas espalhadas no alto do Platô de Chajnantor, no Chile. Elas estão a 5 mil metros acima do nível do mar (Foto: Clem & Adri Bacri-Normier wingsforscience.com/ESO)
Todos os anos, milhares de turistas do mundo inteiro viajam ao Deserto do Atacama, no norte do Chile, para ver o céu mais estrelado do mundo. As condições climáticas favoráveis não atraem apenas visitantes, mas também astrônomos. Não é a toa que, desde os anos 1960, a Agência Espacial Europeia (ESA) mantem ali o Observatório Europeu do Sul (ESO). Em 13 de março de 2013, a ESA inaugurou ali o Alma, o maior e mais potente conjunto de telescópios já construído.
O Alma, sigla em inglês para Grande Conjunto Milimétrico de Atacama (Atacama Large Milimeter Array) está localizado no platô Chanjantor, a 5 mil metros de altitude. O Alma é composto por 66 antenas, com diâmetros que variam de 7 a 12 metros. “Para captarmos a radiação do céu, precisamos de antenas que estão longe uma das outras, e também daquelas muito próximas. O diâmetro delas é diferente para que possamos colocá-las próximas”, explica Leonardo Testi, astrônomo do projeto Alma.
Testi conta que as antenas são feitas com uma tecnologia nova de fibra de carbono, que permite uma grande resistência, garantindo menor peso. “Um uso tão grande dessa fibra em telescópios é algo inovador”, comenta. Ele destaca que a superfície das antenas é forrada por paineis especiais, que refletem as ondas captadas pelo Alma, mas limitando o reflexo da luz e a radiação infravermelha do Sol. “Essa característica permite o telescópio observar o Sol sem derreter o receptor nem incendiá-lo”, destaca.
O astronomo comenta que outra tecnologia de ponta é empregada nos receptores das antenas. “Os receptores são os olhos do Alma. São os dispositivos que usamos para medir a radiação coletada pelos telescópios”, destaca Testi. Eles usam semicondutores resfriados à uma temperatura de -269°C para levar as informações das antenas até o supercomputador que gere o conjunto de telescópios. Por meio deste computador, os cientistas analisam os dados e divulgam as informações para astrônomos de todo planeta.
Esse equipamento é responsável por fazer imagens até dez vezes mais nítidas que o Telescópio Espacial Hubble.
O Conjunto Milimétrico
Antenas contam com tecnologia que permite observar o sol sem danificar o equipamento (Foto: Divlugação/ ESO)
Antenas contam com tecnologia que permite
observar o sol sem danificar o equipamento
(Foto: Divlugação/ ESO)
Entre as estrelas, existem grandes nuvens frias de poeira e gás, com temperaturas um pouco acima do chamado zero absoluto, que equivale a -273,15°C. “Essas regiões estão cheias de gases e poeira cósmica que absorvem a luz visível, por isso, quando olhamos para elas com telescópios comuns, vemos manchas escuras no céu”, comenta Testi. Ele explica que, apesar de escuras, essas áreas emitem uma radiação em comprimentos de onda milimétrico e submilimétrico. Essa radiação é captada por antenas, como as do Alma.
Além de exigir um equipamento especial para ser captada, a radiação submilimétrica só pode ser percebida em locais específicos do planeta. “A atmosfera contem vapor de água e oxigênio que, apesar de serem importantes para a vida na Terra, absorvem a radiação do espaço”, comenta. Por isso, o Alma precisava ser construído em um local muito alto - isso é, com uma menor camada de atmosfera - e seco. Por isso, o Alma foi construído no Platô de Chajnantor, um planalto a 5 mil metros acima do nível do mar, no deserto do Atacama, lugar mais seco do mundo. “Apesar de a vida ser desconfortável para os astrônomos aqui em cima, o platô é a terra dos sonhos para nossas antenas. Ele permite ao Alma fazer imagens incríveis do céu!”, destaca Testi.
Para receber um observatório, o local precisa ter um tempo bom em boa parte do ano. Mas cada tipo de observação astronômica exige condições próprias. Locais secos e altos, como o Planalto Chajnantor e o monte Mauna Kea, no Havaí, são apropriados para a astronomia submilimétrica. “Telescópios ópticos podem ser construídos em menores altitudes, mas eles precisam de condições especiais de ventos sobre eles”, comenta Testi. Eles precisam estar em lugares sem grandes turbulências, nem montanhas mais altas ao redor. Além disso, é ideal que estejam longe de cidades, já que a luz atrapalha a observação.
O ESO mantem observatórios ópticos no Atacama, em montanhas que variam de 2400 a 2600 metros de altitude. O Very Large Telescope (Telescópio Muito Grande) é o observatório óptico mais moderno do mundo e está a uma altitude de 2600 metros, no topo do Cerro Paranal. Há ainda o La Silla, no topo de um morro de 2400 metros.

Você conhece o Projeto Asas?

Projeto Asas faz o resgate, tratamento e soltura de animais vítimas de tráfico

Centros recebem aves, tartarugas, quatis e macaquinhos.
Propriedades de MG reservam áreas para soltura dos animais silvestres.

Helen MartinsDo Globo Rural










Casos de apreensões de animais, principalmente aves vítimas de tráfico, são registrados com frequência. São milhares encaminhados para cerca de 45 centros de triagem em todo o país, a maioria gerenciada pelo Ibama. Agora, há fazendas em Minas Gerais que construíram viveiros para receber esses animais até soltá-los de volta na natureza.
Corujinha cheia de óleo, papagaios recém-nascidos e aves com asas cortadas. É assim que muitos animais chegam aos centros de triagem do Ibama. Em duas horas, o centro em Belo Horizonte recebeu duas levas de animais apreendidos.
“A maioria das apreensões é através de denúncia anônima. A pessoa informa que o autor ou autora cria animais em cativeiro sem registro. A gente desloca até a residência, faz a constatação, apreensão, boletim de ocorrência e os encaminha até o centro de triagem”, explica”, Heuler Vinícius Rosa, sargento da PM.
Segundo a lei, quem trafica ou cria animais silvestres sem autorização está sujeito a multas e detenção de seis meses a um ano. Depois de cadastrados, os animais, que chegam ao centro de triagem passam por um checkup. “A gente impede que animais doentes transmitam essa doença para os nossos aqui e que sejam soltos portadores de doenças”, diz Daniel Vilela, veterinário do Ibama.
Não sobrevivem 15% dos animais que vão para o centro. Outros 15% não se recuperam e continuam a viver em cativeiro. Alguns papagaios que foram para o local com poucos dias de vida ainda são alimentados com a seringa várias vezes ao dia. A corujinha recém-chegada recebe tratamento nas mãos da veterinária Érika Procópio, do Instituto Estadual de Florestas.
“Ela estava em um barril com óleo numa indústria. Então, a gente deu uma tranquilizada nela. Aquecemos uma água e estamos lavando com detergente para tentar tirar o máximo possível”, diz a veterinária.
A beleza das penas faz do sofrê, ou corrupião, ser um dos mais visados por criadores. O belo canto é o ‘pecado’ do trinca-ferro.
No centro também tem outros animais como tartarugas, quati e o macaquinho chamado Sauá. Com o aumento no número de apreensões, há a preocupação constante com a superlotação dos centros.
“Recintos superlotados vão aumentar conflitos entre as espécies e a possiblidade de transmissão de doenças. Aí, a gente vai ter dificuldade maior de recuperar e reabilitar esses animais. Então, a medida em que a quantidade de animais apreendidos aumenta, é importante que o número de áreas de soltura também aumente”, alerta Vilela.
No dia da soltura, o veterinário enche o carro com gaiolas que levam várias espécies. Depois de duas horas de viagem, os animais chegam à reserva no município de Lagoa Dourada. Nesse local, é feita a aclimatação.
A reserva faz parte do Projeto Asas, Área de Soltura de Animais Silvestres. Essa é uma área que, com autorização do Ibama, pode receber os animais e soltá-los na natureza. A primeira área de soltura foi criada em 1992, em Minas Gerais. Hoje, existem cem em todo o país.
O dono da reserva é o veterinário maurício resende, professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais. “Eu estou com 76 anos. Eu mexo sempre com tratamento de pássaros”, diz.
Aves menores ficam no viveiro até 30 dias para que estejam em condições de sair para a natureza. Os tucanos ficam até quatro meses. Como são jovens, o bico ainda precisa crescer mais.
O zootecnista Fábio Osken já implantou oito Asas e explica as exigências. “A propriedade rural deve ter lagos e recursos hídricos para que as aves encontrem a água fundamental para a sobrevivência. Um segundo aspecto é ter uma certa porcentagem significativa de bioma, de recursos vegetais preservados. Outro aspecto importante é realizar o levantamento de fauna. Eles devem destinar as espécies para os locais onde elas ocorrem para não correr o risco de estar introduzindo uma nova espécie, que poderia causar um impacto maior”.
Os ornitólogos, especialistas em aves, Vanessa Gomes e Pedro Henrique Vieira fazem o levantamento da área. “Em pouco tempo de campo a gente encontrou 60 espécies. E está só aumentando”, diz Vanessa.
A área de soltura fica no município de São Gonçalo do Rio Abaixo. Os donos estão implantando bem ao lado dela um futuro condomínio de casas. Para se adequar às exigências, foram plantadas no lugar mudas de árvores frutíferas e construídos um tanque artificial e dois viveiros que estão quase prontos.
“Para evitar a superlotação, a gente faz solturas com quantidade limitada de animais. No máximo, duas solturas por ano. Se a gente observa que os animais continuam concentrados na área de soltura, a gente evita soltar animais da mesma espécie no mesmo local”, diz Vilela.
O agrônomo Elton Aguiar Neves faz parte do Projeto Asas há oito anos na fazenda Engenho D’Água, em Ouro Preto, e desenvolve também um trabalho de educação ambiental com estudantes. “É uma maneira não só de conscientizar, mas de sensibilizar esses jovens da importância de deixar os animais na natureza”, diz.
As aves estão no viveiro há apenas 10 dias, mas a boa adaptação deixa-as prontas para a soltura. Com o alçapão aberto, elas saem sem medo e vão pousando nas árvores vizinhas. A partir de agora, o alçapão ficará aberto dia e noite para o caso de alguma ave querer voltar para o abrigo. Os cochos também ficarão com alimento e o viveiro só poderá receber uma nova leva de aves daqui a uns seis meses.
Depois de tanto trabalho, veterinários, biólogos e benfeitores da natureza se sentem recompensados. Mas devolver os animais silvestres à natureza é a última etapa de um trabalho que nem deveria existir. Se não houvesse criação sem autorização, se não houvesse tráfico, esses animais estariam livres.