sábado, 17 de março de 2012

Correio Brasiliense Informa - Exposição sobre Maestro Pixinguinha o eterno "Carinhoso"!






HOMENAGEM MUSICAL



Em parceria com a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, o Centro Cultural Banco do Brasil realizará a primeira edição do “CCBB em Concerto”. A primeira edição fará homenagem ao grande mestre da música brasileira com apresentação do Concerto Pixinguinha Sinfônico, um precioso conjunto de peças sinfônicas escritas por Pixinguinha para composições como Carinhoso, Stela e Rancho Abandonado. O concerto será realizado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, sob a regência do maestro Claudio Cohen, e contará com a participação especialíssima do bandolinista Hamilton de Holanda, do saxofonista Carlos Malta e da flautista Odette Ernest Dias. Hamilton e Carlos Malta tocaram nas gravações do CD Pixinguinha Sinfônico.



A exposição estará dividida em 12 salas, dispostas de forma relativamente cronológica. Na Sala 1 (PENSÃO VIANNA, período 1850-1911), o espectador poderá ter uma idéia da Pensão Vianna, a pensão onde seus pais abrigavam músicos populares que não tinham onde morar. O espaço apresentará o nascimento de Pixinguinha (1897), sua convivência em família e os primeiros passos do ainda menino no caminho da formação musical, incentivado pelo pai flautista amador e pelos irmãos também músicos. Retratará os precursores da música no final do século 19 e início do século 20 e as principais formações de choro, os regionais e as bandas militares. Uma foto mostra o menino Pixinguinha com um cavaquinho, o primeiro instrumento que ele ganhou. Outras imagens apresentam Joaquim Callado, Patápio Silva, Anacleto de Medeiros, dentre outros, e as primeiras formações do choro – algumas delas com Pixinguinha ainda bem jovem ao lado de músicos consagrados.



A Sala 2 (PIZINDIN, PECHINGUINHA, PIXINGUINHA, 1911-1922) apresentará a rápida ascensão de Pixinguinha como flautista, ainda muito jovem, e o prestígio que alcançou junto aos músicos, ao público e à imprensa. Estarão presentes neste contexto a importância do Carnaval no início do século XX, através dos Ranchos Carnavalescos e do Grupo Caxangá dos quais Pixinguinha participou. Ainda, o primeiro emprego na Choperia La Concha aos 14 anos; sua inserção nos grupos musicais que acompanhavam os filmes mudos e a participação como músico nas orquestras dos espetáculos de teatro de revista. Para criar o clima dos cinematógrafos da época, será exibido um filme do mudo, onde o público poderá experimentar a sensação de acompanhar uma trilha sonora ao vivo.



Na Sala 3 (OITO BATUTAS, 1919-1928) estará a organização do grupo Oito Batutas, a ocupação da luxuosa sala de espera do Cine Palais por músicos negros e a enorme repercussão causada pelo fato junto à imprensa e a sociedade carioca do período. Serão expostas diversas fotos do grupo Oito Batutas, entre 1919 e 1922. O espectador poderá ver o impacto que a temporada de seis meses em Paris causou nos integrantes do grupo Os Batutas e o excelente trabalho do dançarino Duque, como articulador e divulgador da turnê do grupo como representante da música popular brasileira. O espaço terá uma sala especialmente dedicada a Paris, com imagens da época, além de fotos do embarque, passaportes, recortes de jornais da época.



A Sala 4 (BRASIL MODERNO, 1922-1942) retratará a transformação estética assumida pelos integrantes dos Oito Batutas depois da viagem para Paris. Novos instrumentos, nova música. Em Paris, Pixinguinha conheceu o jazz, as grandes orquestras. Apaixonou-se pelo saxofone, instrumento que ganharia de presente de Arnaldo Guinle e que passaria a incluir na formação do grupo. Simultaneamente, o Brasil em 1922, estava sob os ecos da Semana de Arte Moderna, e a ligação de Pixinguinha com Mário de Andrade – Pixinguinha deu a Mário um depoimento sobre os rituais afro-brasileiros para o livro "Macunaíma, o herói sem nenhum caráter“. Em homenagem ao amigo, Mário criou o personagem que consta no sétimo capítulo da obra e figura como "um negrão filho de Ogum, bexiguento e fadista de profissão. O espaço abordará ainda a grandiosa exposição criada por Epitácio Pessoa para as comemorações do Centenário da Independência do Brasil e o primeiro sistema de transmissão radiofônica de ondas curtas montado no Brasil.



Na Sala 5 (BETI E PIXINGUINHA, 1925-1973), uma incursão na vida familiar do artista, como foco no seu casamento, que durou 45 anos, e na relação com o filho, Alfredo Vianna da Rocha Neto, carinhosamente chamado de Alfredinho. As festas promovidas pelo casal e documentos referentes às atividades de Pixinguinha com funcionário público federal. Ainda a fundação e um pouco da história da Companhia Negra de Revistas, onde os dois se conheceram.



Alguns dos programas de Rádio que Pixinguinha participou estão recuperados na Sala 6 (O DISCO E A RÁDIO, 1920-1973), que apresenta fotos de grandes artistas da época e informações sobre o Grupo da Guarda Velha. Estarão à disposição do visitante menus com áudios de gravações da época, na voz de artistas como Carmen Miranda e Orlando Silva, e imagens de um vídeo de Thomaz Farkas sobre o grupo. O espaço abordará o papel do arranjador, regente e músico Pixinguinha. Será exposto o contrato assinado entre Pixinguinha e a Victor Talkin Machine Co., de 1929, quando o músico se tornou o primeiro maestro-arranjador contratado por uma gravadora no Brasil.



A Sala 7 (CARINHOSO, 1937-2012) é especialmente dedicada à música Carinhoso, a mais famosa composição de Pixinguinha, e terá vídeos de vários artistas que cantaram a música, como Elis Regina, Tom Jobim, Orlando Silva, Tom Zé, Roberto Carlos, Jair Rodrigues, Maria Bethânia, Elizeth Cardoso, dentre outros. A história de como a música foi composta e como ganhou a letra de João de Barro (Braguinha), em 1936.



Representada a partir de 400 imagens, a Sala 8 (PIXINGUINHA E A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA, 1920-2012) traz depoimentos que conectam Pixinguinha com o cenário musical brasileiro contemporâneo. A sala aborda os rumos que a música brasileira tomou a partir da liderança de Pixinguinha em nossa música popular. Gravações de instrumentistas feitas dos anos 80 até os tempos atuais apresentam as novas versões para a música deste mestre.



“Nós somos um poema”. Assim Pixinguinha, Donga e João da Baiana se referiam à amizade dos três, que atravessou décadas. A Sala 9 (NÓS SOMOS UM POEMA, 1911-1973) será dedicada a este exemplo raro de amizade, com fotos, vídeos que falam deles e imagens da Pequena África, região onde eles viviam e áudios com gravações dos artistas.



Outra parceria, desta vez entre Pixinguinha e Vinícius de Moraes, dá o tom à Sala 10 (PIXINGUINHA E VINÍCIUS, 1962-1963), espaço para o espectador tomar contato com a trilha que ambos compuseram para o filme Sol Sobre a Lama, de Alex Viany, que marca a estréia no cinema do ator Othon Bastos, rodado na antiga Feira de Água de Meninos, em Salvador, em 1963. Serão exibidos fotos do filme, roteiro, cartas trocadas entre o músico e o diretor e um documentário que recupera a histórica parceria de Pixinguinha com Vinicius de Moraes. 



Estudiosos e especialistas afirmam que nunca ninguém mais tocou a flauta como Pixinguinha. Mas aos 48 anos de idade, o artista trocou a flauta pelo sax. Corria o ano de 1944 e Benedito Lacerda fez uma proposta ao amigo: gravarem juntos pela RCA, ele na flauta e Pixinga, como era carinhosamente chamado pelos amigos, no sax. Desta parceria nasceram 17 discos de 78rpm, em 34 faixas antológicas que reúnem algumas das mais belas gravações de choro de todos os tempos. Esta história está registrada na Sala 11 (A FLAUTA E O SAXOFONE, 1945-1951), que contém os instrumentos usados pelo músico, todos os discos, críticas da época e fotografias.



E o percurso pela vida e obra de Pixinguinha termina na Sala 12, batizada de SÃO PIXINGUINHA (período de 1897-1973). Nela, uma tela de 12 metros exibirá um documentário com sequência de imagens em movimento e depoimentos de grandes nomes da música e da cultura. No local, cadeiras de balanço estarão dispostas para os visitantes descansarem enquanto assistem ao filme.



Serviço:



PIXINGUINHA

Local: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília – Pavilhão de Vidro e Galeria 2
Data: 13 de março a 6 de maio de 2012
Horário: de terça a domingo, das 9h às 21h
ENTRADA FRANCA

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